quisera
quisera eu
poder
amaldiçoar-vos.
quisera eu
poder
dizer:
recaia sobre
vós e vossas casas
o desprezo que
despejaram sobre a
minha,
quisera eu
ver
vossos nomes
desonrados
pela maledicência.
quisera eu
que sentieis
o fel perene
no
paladar
de ter confiado
e andado
com gente
como vós.
vós
que não servis
ao Eterno,
mas que pra lá
e pra cá
de terno,
servis às
vossas neuroses.
quisera eu
ver-vos prantear
por haverdes confiado
em gente má,
como vós.
quisera eu
ver-vos
rasgar
vossas vestes
por terdes andado
com gente
que acolhe,
com dois pesos e duas medidas,
a calúnia, a fofoca,
a mentira.
mas,
por ora,
o que o Eterno me dá?
entrar e sair
em vossos reinos
de
cabeça erguida,
com caminho reto,
enquanto
desviais
para a direita
e para a esquerda,
cabizbaixos,
o olhar e o caminhar.
quisera eu
poder-vos julgar,
mas graças ao
Eterno,
não posso.
~ m. g. a. ~